segunda-feira, 27 de junho de 2011

mais um trago em praga

...uma viagem começa quando nos perdemos e hoje me perdi pelas ruas de praga. meu péssimo inglês e o mau humor checo ajudaram.
entrei em pequenas livrarias. terminei de fato a história abreviada da literatura portátil. já havia encerrado a leitura do livro de vila matas em madri. mas agora caminhando pelo centro de praga com uma sacola contendo um livro, um caderno e sem saber para onde ir, terminei a trama sobre “vagabundos, viajantes errantes, exilados do mundo da arte e, ao mesmo tempo colecionadores carregados de coisas, ou melhor de paixões (...) miniaturizar é tornar portátil.
algumas passagens de história acontecem em praga. depois da festa em viena que culmina com a chegada da polícia e com o escritor estadunidense fitzgerald fumando um cigarro de tabaco virginia e fingindo que jogava xadrez, os loucos artistas portáteis shandy escapam em direção a cidade. “nesse momento de pânico e dispersão, ao ver que os shandys fugiam para as mais variadas direções e que isso podia dificultar enormemente seu reagrupamento, walter benjamin conseguiu dar uma ordem e convocar a todos que fossem a cidade de praga (...) tentassem, por meio de encontros fortuitos, pelas ruas, colocar-se novamente em contato”.
não fugi com os shandy mas encontrei-me em praga. no bar que entrei, e nesse momento é minha casa, jovens acendem seus cigarros. aqui ainda se fuma nos bares. aprecio a neblina. dou um gole de gambrinus, cerveja forte que me acompanhou ontem e hoje. praga é cheia de espaços. os prédios são baixos, antigos. bondes cruzam a paisagem. um rio que corre lento margeia a cidade. os homens parecem beber o dia todo. caminham pelas ruas com o rosto vermelho e os olhos injetados. daqui a pouco encontrarei papoula. ou melhor, papilouca. é que quando a gente se encontra, pupila e eu, a cena se transforma. temos o gen de viagem, o chão de paixão. seja no colchão ou não. do you know?

mas e a viagem? cheguei já no meio. depois do quarto balde de gambrinus volto para vila matas e a viagem shandy, “viagem que claramente era um movimento inútil, pois não se perseguia um fim ou um objetivo determinado (...) queriam viajar contando histórias aos outros”.

viagem: vida.
troco de bar.
peço outra.
mais um trago em praga.

brasa
i love you

24/06/2011

Nenhum comentário:

Postar um comentário